Em outubro de 2005 tivemos a oportunidade de visitar a capital de nossos "hermanos", Buenos Aires, na Argentina. Tivemos muito boa impressão dessa cidade quanto à limpeza e segurança. Como havíamos comprado uma câmera digital na semana anterior, levantávamos bem cedo e antes do café, fotografávamos a cidade, ainda com boa luz. Passando pela praça San Martin, próxima ao hotel aonde estávamos hospedados, notamos o formoso prédio do Círculo Militar. Ao fotografarmos percebemos que ali se encontrava o "Museo de Armas de La Nación", mas que se encontrava fechado naquele horário.

Entrada do Círculo Militar

O museu foi fundado em 1904 com o nome de "Museo Nacional de Armas" no "Cuartel de Inválidos de la Nación", recebendo as coleções da "Dirección General de Arsenal de Guerra" em 1911 e se mudando para a "Exposición Ferroviaria", passando depois a se chamar "Museo Militar".

Em 1938 recebeu o nome definitivo de "Museo de Armas de la Nación" passando a funcionar em seu local definitivo, o "Palacio Retiro del Círculo Militar", abrindo suas portas em 1940 e funcionando até 1972, quando esteve fechado para reformas.A reforma e a reestruturação duraram 10 anos, sendo reaberto em 1981, quando também foram incorporadas novas peças ao acervo. O museu possui 18 salas abertas para exibição, onde se pode observar a evolução técnica e histórica das armas desde o século XII, contando com mais de 2000 armas e outros objetos.

Entrada do museu ornada por 2 armaduras

O prédio é suntuoso e as salas são ricamente ornamentadas e repletas de armamentos. Logo na entrada, um senhor muito simpático cobra o ingresso de 3 pesos (por volta de R$2,30 na época) pela visitação, que pode ser também guiada por um funcionário, bastando entrar em contato com 48 horas de antecedência. O museu funciona de segunda à sexta feira, das 13 às 19 horas. A distribuição do acervo se dá na ordem da evolução do armamento através dos séculos. Acompanhe a planta do museu e o nosso texto, a seguir.

Planta do Museu

A entrada fica em "E", na Av. Santa Fé, 702, em frente à praça San Martin, podendo-se chegar até o museu utilizando o metrô e descendo na Estação San Martin, que está a 200 metros. Em "H" encontra-se o hall de entrada, ornado por duas armaduras e um canhão direcionado para a porta. Na Sala Dr. Fernando Jauragui (B) é onde se paga o acesso ao museu e também onde se pode comprar souvenirs, como livros, munição inerte usada pela Argentina e outros objetos.

Estamos em meio a coleção do museu a partir da sala I ou Sala Juan de Garay, onde encontramos em exposição armaduras, espadas, escudos, balestras, cotas de malha de aço e outros objetos do século XII ao XVII, de vários países. Passando à sala Almirante D. Guillermo Brown (II), podemos ver uma grande coleção de espadas e sabres do mundo todo; também estão expostas espadas de personagens históricos da Argentina.

Na sala III ou sala Fray Luis Beltran começamos a ver a evolução das armas de fogo, desde um arcabuz da Conquista de Tenerife (1473), passando pelo sistema a mecha, pederneira, percussão e fuzis modernos já do final do século XIX até começo do século XX. É muito grande a gama de fuzis "bolt action" à mostra, ocupando 2 níveis das paredes dessa sala.

A sala IV é dedicada ao "Libertador General San Martin", onde está um busto do General e alguns objetos pessoais. Nessa sala também podem ser observadas algumas das armas regulamentares da Argentina em outros tempos, tais como o fuzis Remington Roller Block Modelo Patria e Mauser em calibre 7,65mm. As armas capturadas do exército britânico, quando da invasão de Buenos Aires em 1806, também se encontram expostas aqui.

Fuzis Mauser em exposição na Sala "Libertador General San Martin"

Nas Salas V, VI e VII podemos observar maquetes representando os uniformes argentinos até 1942, armas que pertenceram a Chefes de Estado e outros objetos representando a história militar da Argentina. A sala VIII, e também a saída do museu, recebe o nome de sala Ten Cel Doña Juana Azurduy e exibe uma grande coleção de alabardas, lanças e baionetas de diversos formatos e tamanhos do mundo todo e de épocas diferentes.

As salas IX e XI se dedicam aos conflitos argentinos, mostrando os eventos internos do século XIX e armas da Guerra das Malvinas, muitas tomadas da guarnição britânica que defendia as ilhas durante a invasão argentina, como uma metralhadora Bren. A sala X, dedicada ao General D. José Maria Paz, apresenta a evolução dos revólveres e pistolas; nesta sala pode-se ver em destaque os estojos com uma pistola Steyr Modelo 1912 e outros da Parabellum (Luger). Também está exposta ali uma das primeiras pistolas do mundo, a Borchardt, bem como revólveres de muitos fabricantes, incluindo os mais conhecidos como S&W, Colt, Remington e Webley, e a evolução do sistema de funcionamento de armas curtas.

Desse ponto o melhor é seguir para as salas XII, XIII e XIV, deixando o melhor para o final. As salas XII e XIII são contíguas, expondo metralhadoras médias e pesadas desde as americanas Gatling da metade do século XIX, passando por Schwarzlose, Hotchkiss, Fiat-Revelli, Brownings, Vickers até uma KPVT 14,5mm de fabricação russa. Nessa ala encontra-se um fuzil anti-tanque Mauser Modelo 1916 da Primeira Guerra Mundial. Uma curiosidade é o protótipo de uma metralhadora argentina Fittipaldi Modelo 1912.

Metralhadora Gatling na Sala XII (Sal General José Maria Paz)

A Sala XIV é dedicada ao Oriente, com destaque a armas e armaduras japonesas, onde se expõem também espadas e cutelaria de origem chinesa, malaia, persa, árabe e de outras nações da Ásia. Seguindo para as últimas salas, passamos pela XV, onde estão as metralhadoras anti-aéreas, e entramos na sala XVI/XVII. Aqui estão expostas armas modernas, fuzis, metralhadoras leves, fuzis de assalto, submetralhadoras e armamento de artilharia. As curiosidades incluem um expositor para a fábrica espanhola CETME e outro para a argentina Halcon, também uma máscara anti-gás para cavalos, usada na Primeira Guerra Mundial.

Peças de artilharia no centro e armas modernas nas vitrines laterais nas salas XVI e XII

Ainda fora do museu, para quem passa na calçada, chama a atenção a exposição de peças de artilharia dos séculos XIX e XX que está atrás das grades e sob a vigilância de câmeras de segurança.

Chegamos então ao fim de nosso passeio ao Museu de Armas de la Nación, mostrando o interesse dos argentinos na preservação de sua história e da história universal, preservando um patrimônio inestimável, como o que se encontra neste museu. Além do museu, pudemos entrar em algumas lojas de armas do centro de Buenos Aires, onde novamente os argentinos nos dão uma lição, seja de democracia ou de preservação do patrimônio histórico; encontramos muitas armas antigas à venda em quase todas as lojas, desde fuzis Mauser que foram de dotação, revólveres S&W Russian, Colt's e até as metralhadoras médias Browning e diversas submetralhadoras. Desconheçemos em profundidade a legislação para armas de fogo na Argentina, mas acredito ser um país muito à frente do nosso neste quesito, e que desfruta de mais baixa taxa de criminalidade.

Em 2009, nosso eventual colaborador, Luiz A. Bordin, esteve em Buenos Aires e visitou o Museo de Armas, onde obteve mais uma excelente série de fotografias, as quais gentilmente disponibilizou para uso no nosso site. Mais uma vez comprovamos a qualidade do material exposto, sem dúvida, um museu de causar inveja à nós brasileiros, como exemplo de organização e preservação histórica.

Pistola Borchardt, de 1893 em calibre 7,65mm, precursora das famosas Parabellum (Luger)

Dois exemplares de pistolas Parabellum (Luger), modelo Naval 1906 e modelo Artilharia 1914, ambas em calibre 9mm.

Pistola Mauser modelo C96 em calibre 7,63mm e seu carregador lâmina de 10 cartuchos.

Excelente pistola Luger modelo Artilharia, com coronha e magazine tipo tambor para 32 cartuchos.

Bela coleção de pistolas da I Guerra Mundial: ao alto tres Lugers, uma Mauser modelo 1910, duas Mausers C96 com coronha, pistolas Roth-Steyr, Fromer, Dreyse e Bergmann Bayard

Magnífica Astra modelo 900, de 1928, arma espanhola baseada nas pistolas Mauser C96.

Duas pistolas Steyr-Mannlicher de 1901 e seus carregadores de lâmina.

Metralhadora Gatling norte-americana, magnífica peça em estado impressionante.

Metralhadora pesada Maxim, a primeira metralhadora realmente automática de grande sucesso, desenvolvida por Sir. Hiram Maxim.

Metralhadora norte-americana Browning, refrigerada à ar, em calibre .30-06

Notável conjunto de pistolas alemãs, começando com a Borchardt ao alto, quatro pistolas Luger representativas, seguidas de duas Mausers C96.

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Vista de um dos inúmeros estandes. São centenas de armas expostas neste excelente museu.

Outra sala, com espadas, florins e armaduras.

Conjunto de rifles e carabinas Winchester. Dentre outras, a partir da terceira arma, da esquerda para a direita, dois modelos 1866 seguida de um modelo 1873

Outro impressionante estande com dezenas de fuzis de diversos tipos e origens.

Coleção de fuzis de percussão, o primeiro deles um US Springfield de 1855, arma de dotação do Exército Americano durante a Guerra Civil.

Outro magnífico exemplar de metralhadora norte americana Gatling.

Ala de canhões leves

Diversos tipos de metralhadoras e fuzis automáticos: uma alemã MG-34 em calibre 7,92X57, um fuzil-metralhador de fabricação checa ZB 26 (Zbrojovka Brno), o americano BAR (Browning Automatic Rifle) em calibre .30-06, e um fuzil de assalto alemão Fallschirmjägergewehr 42 (FG42), modelo da 2ª versão.

Nosso colaborador Luiz Bordin posa ao lado de um impressionante espécime de metralhadora do tipo Gatling de alto calibre.

Visita ao Museu de Armas de La Nación

por Nilson Bernardi